Psi Carol Coelli
As vezes a gente só precisa de um lugar para uma boa conversa e reflexões pertinentes.
Nº X Entre sessões e Silêncios
Psicoeducação | Quando a emoção vira comportamento: explosões, silêncios e fugas
Nem sempre o problema está na emoção.
Muitas vezes, está no que fazemos com ela.
Quando não aprendemos a reconhecer o que sentimos, a emoção encontra saídas pouco saudáveis: explosões de raiva, silêncios prolongados, afastamentos repentinos.
O comportamento como tradução emocional
Todo comportamento comunica algo.
A explosão pode esconder dor acumulada.
O silêncio pode carregar medo de confronto.
A fuga pode ser tentativa de autoproteção.
Entender isso não justifica atitudes que machucam,
mas ajuda a assumir responsabilidade sobre elas.
Transformar comportamento começa antes da ação
A mudança não acontece no auge da emoção,
mas no treino diário de percepção.
Quanto mais cedo a emoção é reconhecida,
menor a chance de ela precisar se manifestar em excesso.
O que não encontra espaço para ser sentido costuma aparecer em forma de excesso.
Te vejo na terapia.
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Cotidiano | O que fazer quando tudo parece urgente (mas não é)
Viver com a sensação de que tudo é urgente e viver em estado de alerta constante, nos exige um gasto gigante de energia e esforço para se manter no equilíbrio emocional. A mente corre, o corpo acompanha, e o descanso vira culpa. Mesmo nos momentos de pausa, há um incômodo silencioso dizendo que algo deveria estar sendo feito.
Nos mantendo sempre na necessidade de estar produzindo e realizando coisas, e acabamos não lembrando que nem toda urgência é real. Muitas são emocionais.
Urgências reais têm consequências claras e objetivas. Já as urgências emocionais costumam vir acompanhadas de ansiedade, medo de falhar, necessidade de controle e dificuldade de tolerar espera ou frustração.
Quando tudo parece urgente, o corpo não tem tempo de entender o que está acontecendo e com isso, as decisões são tomadas no impulso, limites são ultrapassados e o cansaço se acumula junto com o estresse, com isso começamos a sentir uma irritação e um cansaço constante nos exaurindo.
Nesse tipo de situação, temos dificuldade de nos concentrar no momento presente e entender a prioridade das urgências. Se questionar costumar ajudar bastante a diminuir a ansiedade e lembrar do que precisar ser realmente feito. Algumas perguntas ajudam a refletir sobre isso, por exemplo essas 3 questões:
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Isso realmente precisa ser resolvido agora?
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O que acontece se eu resolver isso amanhã?
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Estou agindo por clareza ou por ansiedade?
Após pensar nas respostas e perceber a real prioridade a ser executada, conseguimos diminuir a urgência interna, e aceitar que não estamos sendo preguiçosos ou procrastinado as ações. Isso, é cuidado.
Aprender a diferenciar o que pede ação do que pede regulação emocional muda profundamente a forma como lidamos com o dia a dia.
Nem tudo que pressiona precisa ser resolvido agora — algumas coisas pedem presença.
Te vejo na terapia.
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Pais & Filhos | Educar sem repetir: o que é possível mudar nossa própria história
Muitos pais já chegaram aqui no consultório e afirmam, com certeza absoluta, que não querem repetir com os filhos aquilo que tiveram na própria infância. Mas ainda assim, em momentos de cansaço, estresse ou sobrecarga emocional, percebem-se agindo exatamente como prometeram não agir.
Isso acontece porque não repetimos apenas comportamentos — repetimos padrões emocionais não elaborados. Repetimos padrões de comportamento que aprendemos durante nossa infância.
Educar, sem repetir a própria história, não significa negar o passado ou tentar fazer o oposto de tudo o que foi vivido e aprendido. Significa compreender a influência dessas experiências na forma como hoje reagimos, impomos limites e estabelecemos vínculo. Além de como enxergamos a criação dos filhos e o papel de pai/mãe.
Quando a infância foi marcada por rigidez excessiva, violência física e/ou emocional, ausência de acolhimento e segurança, o adulto pode oscilar entre o controle e a permissividade. Quando houve ausência emocional, pode surgir dificuldade em sustentar limites por medo de afastamento e rejeição do filho. Uma ausência não elaborada diz sobre dificuldade de se posicionar no presente.
O que é possível mudar não é o passado, mas a consciência sobre ele. É compreender que foi algo que aconteceu, não somente por sua culpa, mas porque seus pais não tinham a mesma informação que se tem hoje, a maturidade emocional, as dificuldades do dia a dia, além de ser uma época e datas diferentes. Durante essa disponibilidade de refletir sobre e questionar a si mesmo, algumas perguntas chave para auxiliar nessa mudança de visão:
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O que da minha história aparece quando estou cansado(a)?
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O que faço hoje por escolha e o que faço por reação?
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Que tipo de adulto quero ser na relação com meu filho?
Escolher mudar padrões exige tempo, autorresponsabilidade e gentileza consigo, além do autoperdão. Não é sobre acertar sempre, mas sobre perceber mais cedo, reparar com mais consciência e entender que seguimos sempre em construção.
Educar também é um processo de autoconhecimento profundo.
E, muitas vezes, o maior aprendizado não é do filho — é do adulto.
Quando a história é reconhecida, ela deixa de comandar silenciosamente o presente.
Te vejo na terapia.
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Cotidiano | 3 perguntas que ajudam a colocar limites sem culpa
Em algumas situações nos sentimos mal e negar algo para alguém, ou dizer não para uma atitude ou favor que nos pedem, e o sentimento de culpa que surge ao colocar esses limites raramente tem relação com o presente. Ela costuma vir carregada de memórias e medos antigos, como o medo de rejeição, do abandono, conflito ou desaprovação de alguém querido. Por isso, mesmo quando o limite é necessário, ele dói.
Por isso, antes de comunicar e colocar qualquer limite ao outro, é fundamental construí-lo dentro de você, entender, compreender e aceitar. Durante a terapia conseguimos construir de forma mais eficiente e de longo prazo, mas para te deixar refletindo sobre vou deixar algumas perguntas, que podem ajudar nesse processo.
Cuidar de si também é aprender a não se abandonar para manter vínculos.
Te vejo na terapia.
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Psicoeducação | Regulação emocional não é controle: é relação com o que se sente
Existe uma ideia equivocada de que regular emoções significa manter tudo sob controle.
Como se maturidade emocional fosse não sentir demais, não se abalar, não demonstrar.
Mas regular não é reprimir.
E muito menos fingir que está tudo bem.
Regulação emocional é a capacidade de se relacionar com o que se sente, sem ser dominado pela emoção e sem precisar expulsá-la.
Reprimir não é regular
Quando tentamos controlar emoções à força, elas costumam encontrar outros caminhos:
o corpo, a irritação constante, o cansaço emocional, a ansiedade difusa.
Regular é diferente.
É permitir que a emoção exista, compreendendo seu sentido, sua intensidade e seus limites.
Emoções pedem escuta, não combate
Toda emoção carrega uma informação.
A raiva pode sinalizar limites.
A tristeza pode apontar perdas.
O medo pode indicar necessidade de proteção.
Quando escutamos essas mensagens, a emoção cumpre sua função e tende a se organizar.
Quando lutamos contra ela, o conflito interno aumenta.
Desenvolver regulação é processo
Ninguém aprende a regular emoções sozinho ou de uma hora para outra.
Isso se constrói com consciência, repetição e, muitas vezes, apoio.
Regulação não elimina o desconforto,
mas impede que ele governe as escolhas.
Quando a emoção encontra espaço, o comportamento encontra direção.
Te vejo na terapia.
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Pais & Filhos | A culpa na parentalidade: de onde vem e como ela nos atravessa
Ser pai ou mãe é, muitas vezes ou quase sempre, seguir a rotina acompanhado por uma sensação silenciosa de dívida e dúvida. Quando perdemos a paciência, quando dizemos “não”, quando trabalhamos demais, quando descansamos, quando erramos — ou quando simplesmente sentimos que não estamos sendo suficientes, a culpa aparece.
A culpa na parentalidade não nasce apenas das escolhas do dia a dia. Ela é construída a partir de expectativas sociais irreais, comparações constantes e, principalmente, da história e vivências de cada adulto. Muitos pais carregam a ideia de que amar um filho significa não falhar nunca. Mas essa é uma expectativa impossível de se alcançar. E com isso vivem sempre um caos, uma desorganização e com o sentimento de que não estão dando conta.
Na psicologia, entendemos que a culpa excessiva costuma surgir quando o adulto se desconecta de si mesmo. Quando tenta corresponder a um ideal de pai ou mãe perfeito, em vez de sustentar uma realidade possível e compatível com a que se tem.
É importante diferenciar culpa saudável de culpa paralisante.
A culpa saudável sinaliza reparação e reajustes: sobre algo pode ser revisto, ajustado, conversado. Como um hábito ou comportamento frequente.
Já a culpa paralisante corrói a confiança dos pais, gera insegurança e impede a presença real. Como quando ficam muito ausentes, seja física ou emocionalmente.
Muitos pais não sofrem por errar, mas por não se permitirem errar. Tentam compensar com excesso de permissividade, controle ou autocobrança. E isso, aos poucos, desgasta o vínculo, sobrecarrega, gera cansaço e estresse, além de dificultar as demonstrações de amor.
Cuidar da culpa passa por olhar para dentro, por questionar os conceitos e exigências impostas pela pessoas do convívio. Cuidar da culpa é se permitir compreender que está também em aprendizado e adaptação a realidade, por isso é importante se perguntar:
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Que ideal de pai ou mãe eu carrego?
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Esse ideal é possível ou inalcançável?
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Estou educando a partir do medo ou da consciência?
Criar uma criança ou crianças não exige perfeição, exige presença emocional suficiente.
Filhos não precisam de pais impecáveis, mas de adultos capazes de reconhecer limites, reparar falhas e sustentar vínculos reais. Além de regulação emocional e calmaria quando se veem meio ao caos.
A culpa diminui quando a parentalidade deixa de ser uma prova e passa a ser uma relação.
Te vejo na terapia.
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Cotidiano | Como sair do automático em dias sobrecarregados
Tem dias que tudo parece demais. As tarefas se acumulam, as demandas não param e muitas vezes não é porque algo extraordinário aconteceu, mas justamente pelo contrário: porque nada parou. E é nesse momento que percebemos, estamos funcionando no piloto automático e se desregulando.
Sair do modo automático não significa desacelerar a vida por completo, ou até parar de fazer suas tarefas e atividades diárias — isso raramente é possível. sair desse modo significa criar pequenas pausas conscientes em meio ao excesso e caos que surgiu.
Por que o automático cansa tanto?
Quando vivemos sobrevivendo, o corpo permanece em estado de alerta e sempre se prepara para enfrentar uma batalha. Emoções ignoradas ou deixadas de lado para pensar depois vão se acumulando e se manifestam com uma irritação todos os dias ou em picos aleatórios, esquecimentos, impaciência, esgotamento emocional ou alteração de sono e apetite, além de um cansaço sem explicação.
O problema não é ter muitos afazeres. É não ter pausas positivas estratégicas sem se sentir culpada(o). Vou dar algumas dicas de estratégias que podem te ajudar a lidar quando surgirem as sensações citadas:
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Nomeie sua emoção antes de agir
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Pense na prioridade: nem tudo precisa ser resolvido agora
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Finalize tarefas com consciência, evitando a sensação de continuidade infinita
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Observe seu corpo: tensão também é informação emocional
Sair do automático é menos sobre fazer diferente e mais sobre perceber o que já está acontecendo.
Aquilo que encontra espaço para ser percebido deixa de dominar em silêncio.
Te vejo na terapia.
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