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Pais & Filhos | O que os filhos aprendem quando os adultos nomeiam emoções

Crianças são ótimas observados mas péssimas intérpretes, e isso vale para todos os âmbitos incluindo a maturidade emocional. Logo elas não aprendem sobre emoções apenas pelo que lhes é dito, mas principalmente pelo que observam. Quando um adulto nomeia o que sente, ele ensina algo que vai muito além da palavra: ensina reconhecimento emocional.

Falar e nomear para a criança e adolescentes que convivem - e até mesmo para outros do dia a dia -, “estou irritado”, “estou triste”, “estou frustrado” não fragiliza sua autoridade dentro de casa. Muito pelo contrário, humaniza e flexibiliza a relação, além de oferecer à criança um repertório emocional que ela ainda está construindo.


Quando emoções não são nomeadas, elas se manifestam em comportamentos confusos, grito, junto com risadas, choro com certa violência, dizer não mas fazer exatamente o que não quer, por exemplo. A criança sente, mas não entende. Reage, mas não sabe explicar. Orientar a nomear as emoções auxilia em muitas coisas no convívio diário, por exemplo, auxilia a: 

  • Desenvolver vocabulário emocional

  • Reduzir comportamentos explosivos

  • Aumentar empatia e autorregulação

  • Fortalecer o vínculo


Não se trata de despejar emoções na criança, mas de mostrar que sentir faz parte da experiência humana — e que é possível lidar com isso de forma responsável.

Educar emocionalmente não é evitar conflitos, mas atravessá-los com consciência.

A criança aprende a se escutar quando alguém, antes, ensinou que emoções podem ser ditas.

Te vejo na terapia.
💖

Pais & Filhos | Quando o cansaço transborda nos filhos

O cansaço mental nem sempre é físico. Na maioria das vezes, ele é emocional. E não é diferente quando se tem filhos na rotina.

Pais cansados tendem a reagir mais, escutar menos e tolerar pouco. Pequenas atitudes da criança geram reações intensas, tons de voz mais alto - até gritos -, palmadas e ofensas exageradas, não porque a criança esteja errada, mas porque o adulto já está no limite.

Quando o cansaço não é reconhecido e aceitado, ele transborda. E, muitas vezes, transborda justamente sobre quem está mais próximo. Seja pai, mãe, avô, avó, sobrinhos ou filhos.


Isso não te define como um pai ou uma mãe ruim. Isso te define como um adulto humano, funcional, sobrecarregado e precisando de cuidado.

O problema não é sentir cansaço. É não falar e dar nome a ele, não respeitá-lo e não buscar formas possíveis de regulação, para lidar com ele no momento de intensidade. E com isso podemos ter atitudes que nos fazem sentir culpa depois que passa toda a tempestade. 

Vou citar aqui,  4 sinais de alerta para quando começar a se preocupar com o cansaço e buscar auxílio profissional para lidar com as situações que envolvem:

  • Irritação frequente

  • Respostas automáticas

  • Culpa constante após conflitos

  • Sensação de estar sempre falhando


Mas como se olha para esse ponto, sem prejudicar a rotina e ao mesmo tempo cuidar de si mesmo? Essa pergunta pode parecer impossível de responder, ou até traz dificuldade na resposta. Pois quando estamos no meio de toda a situação temos um certo bloqueio em expandir nossa visão. Vou te passar alguns ajustes simples que podem ser feitos no dia a dia, que dependem mais de você do que seu ambiente:

  • Refletir sobre as expectativas, se estão de acordo com a realidade ou não;

  • Criar pausas possíveis, pelo menos 15 minutos, não irá atrasar sua rotina;

  • Compartilhar responsabilidades, convide seu(s) filhos e companheiro(a), eles também moram na casa;

  • Pedir ajuda sem culpa, você não será menos por isso.

Cuidar de si não afasta dos filhos, mas ensina eles a se manterem próximos.

Quando o adulto se cuida, a relação deixa de ser lugar de descarga e volta a ser espaço de vínculo.

Te vejo na terapia.
💖

Pais & Filhos | Educar sem repetir: o que é possível mudar nossa própria história

Muitos pais já chegaram aqui no consultório e afirmam, com certeza absoluta, que não querem repetir com os filhos aquilo que tiveram na própria infância. Mas ainda assim, em momentos de cansaço, estresse ou sobrecarga emocional, percebem-se agindo exatamente como prometeram não agir.

Isso acontece porque não repetimos apenas comportamentos — repetimos padrões emocionais não elaborados. Repetimos padrões de comportamento que aprendemos durante nossa infância.

Educar, sem repetir a própria história, não significa negar o passado ou tentar fazer o oposto de tudo o que foi vivido e aprendido. Significa compreender a influência dessas experiências na forma como hoje reagimos, impomos limites e estabelecemos vínculo. Além de como enxergamos a criação dos filhos e o papel de pai/mãe.

Mãe em momento de brincadeira com a criança, simbolizando consciência parental e quebra de padrões.

Quando a infância foi marcada por rigidez excessiva, violência física e/ou emocional, ausência de acolhimento e segurança, o adulto pode oscilar entre o controle e a permissividade. Quando houve ausência emocional, pode surgir dificuldade em sustentar limites por medo de afastamento e rejeição do filho. Uma ausência não elaborada diz sobre dificuldade de se posicionar no presente.

O que é possível mudar não é o passado, mas a consciência sobre ele. É compreender que foi algo que aconteceu, não somente por sua culpa, mas porque seus pais não tinham a mesma informação que se tem hoje, a maturidade emocional, as dificuldades do dia a dia, além de ser uma época e datas diferentes. Durante essa disponibilidade de refletir sobre e questionar a si mesmo, algumas perguntas chave para auxiliar nessa mudança de visão:

  • O que da minha história aparece quando estou cansado(a)?

  • O que faço hoje por escolha e o que faço por reação?

  • Que tipo de adulto quero ser na relação com meu filho?


Mãe em momento de brincadeira com a criança, simbolizando consciência parental e quebra de padrões.

Escolher mudar padrões exige tempo, autorresponsabilidade e gentileza consigo, além do autoperdão. Não é sobre acertar sempre, mas sobre perceber mais cedo, reparar com mais consciência e entender que seguimos sempre em construção.

Educar também é um processo de autoconhecimento profundo.
E, muitas vezes, o maior aprendizado não é do filho — é do adulto.

Quando a história é reconhecida, ela deixa de comandar silenciosamente o presente.

Te vejo na terapia.
💖