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Pais & Filhos | A culpa na parentalidade: de onde vem e como ela nos atravessa

Ser pai ou mãe é, muitas vezes ou quase sempre, seguir a rotina acompanhado por uma sensação silenciosa de dívida e dúvida. Quando perdemos a paciência, quando dizemos “não”, quando trabalhamos demais, quando descansamos, quando erramos — ou quando simplesmente sentimos que não estamos sendo suficientes, a culpa aparece.

A culpa na parentalidade não nasce apenas das escolhas do dia a dia. Ela é construída a partir de expectativas sociais irreais, comparações constantes e, principalmente, da história e vivências de cada adulto. Muitos pais carregam a ideia de que amar um filho significa não falhar nunca. Mas essa é uma expectativa impossível de se alcançar. E com isso vivem sempre um caos, uma desorganização e com o sentimento de que não estão dando conta.

Mãe sentada em momento de reflexão, representando a culpa parental e o processo de autoconhecimento.

Na psicologia, entendemos que a culpa excessiva costuma surgir quando o adulto se desconecta de si mesmo. Quando tenta corresponder a um ideal de pai ou mãe perfeito, em vez de sustentar uma realidade possível e compatível com a que se tem.

É importante diferenciar culpa saudável de culpa paralisante.
A culpa saudável sinaliza reparação e reajustes: sobre algo pode ser revisto, ajustado, conversado. Como um hábito ou comportamento frequente. 
Já a culpa paralisante corrói a confiança dos pais, gera insegurança e impede a presença real. Como quando ficam muito ausentes, seja física ou emocionalmente.

Muitos pais não sofrem por errar, mas por não se permitirem errar. Tentam compensar com excesso de permissividade, controle ou autocobrança. E isso, aos poucos, desgasta o vínculo, sobrecarrega, gera cansaço e estresse, além de dificultar as demonstrações de amor. 

Cuidar da culpa passa por olhar para dentro, por questionar os conceitos e exigências impostas pela pessoas do convívio. Cuidar da culpa é se permitir compreender que está também em aprendizado e adaptação a realidade, por isso é importante se perguntar:

  • Que ideal de pai ou mãe eu carrego?

  • Esse ideal é possível ou inalcançável?

  • Estou educando a partir do medo ou da consciência?

Mãe acolhendo o filho e sugerindo se sentir bem e confiante.

Criar uma criança ou crianças não exige perfeição, exige presença emocional suficiente.
Filhos não precisam de pais impecáveis, mas de adultos capazes de reconhecer limites, reparar falhas e sustentar vínculos reais. Além de regulação emocional e calmaria quando se veem meio ao caos.

A culpa diminui quando a parentalidade deixa de ser uma prova e passa a ser uma relação.

Te vejo na terapia.
💖

Entre Onis, Hashiras e Emoções: o que Demon Slayer revela sobre nossas crenças

Como muitos sabem, sou uma fã de animes — quase uma otome sem perder a compostura.
Um dos meus favoritos é o Demon Slayer, e os arcos finais foram lançados em formato de filme em vez de série. E claro que eu fui assistir o arco do Castelo Infinito no cinema.
E fiquem tranquilos: sem spoilers por aqui!

Pessoa de costas observando o pôr do sol, metade do rosto em sombra e metade iluminado, com traços de energia dourada e azul representando o confronto entre vulnerabilidade e força interior.

Foi uma experiência intensa. Me senti aflita, ansiosa, com o coração acelerado. A trilha sonora e as cores vibrantes pareciam se mover no mesmo ritmo dos golpes e emoções.
Uma animação impecável — não esperava menos de uma produção que leva o selo da Sony.

Durante o filme, não consegui chorar.
Mas, quando cheguei em casa e comecei a falar sobre o que senti, as lágrimas vieram com tudo.
Era como se as emoções que ficaram presas durante a sessão finalmente encontrassem um caminho.
Quem vive de dentro, sente mais fundo.

Mas, voltando ao tema: o que Demon Slayer tem a ver com crenças centrais?

Mais do que parece. Não falo apenas dos hashira e de sua força, mas também dos onis — personagens que, antes de virarem monstros, foram humanos. E sempre que um oni é derrotado, o anime revela sua história: as dores, as perdas e o que o levou à escuridão.
No filme, isso fica ainda mais evidente na história de Akaza — e também no arco de dedicação e superação de Zenitsu.

Post sobre Crenças Centrais utilizando Zenitsu em sua nova forma no filme Castelo Infinito de Demon Slayer.

Akaza carrega uma crença profunda de “não ser suficiente”.
Ele passou a vida tentando provar seu valor pela força, compensando a dor de nunca ter se sentido digno de amor.
Zenitsu, por outro lado, vive a luta interna entre o medo e a coragem. Sua crença parece dizer: “só serei digno se vencer o medo”.
Ambos reagem a partir das histórias que acreditam sobre si mesmos — como todos nós fazemos.

Post sobre Crenças Centrais utilizando Akaza no momento da batalha com tanjiro no filme Castelo Infinito de Demon Slayer.

Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), chamamos essas narrativas inconscientes de crenças centrais: ideias profundas que se formam na infância e moldam como enxergamos o mundo, os outros e nós mesmos. Elas funcionam como lentes invisíveis — filtram o que percebemos e influenciam o que sentimos.

Essas crenças, quando rígidas, podem se transformar em armadilhas emocionais.
Algumas muito comuns são:

  • “Se eu errar, vão deixar de gostar de mim.”

  • “Preciso dar conta de tudo para ser valorizado.”

  • “Ninguém vai me entender de verdade.”

Elas sabotam relacionamentos, criam medo de se abrir, geram culpa ao descansar e nos mantêm presos em padrões de autossacrifício.

O primeiro passo é perceber:
essas frases não são verdades, são histórias antigas.
E histórias podem ser reescritas. Quando olhamos para elas com consciência — e não com julgamento — começamos a nos libertar. Assim como os personagens do anime, nós também carregamos feridas que tentamos esconder.

Mas é justamente ao encarar essas sombras que encontramos o caminho de volta à luz.

🌀 Escolha uma crença sua e anote um momento em que você conseguiu agir diferente dela.
Você pode descobrir que já tem mais força do que imagina.

Te vejo no próximo post.

💖